Cancro Mole

Pesquisa Completa sobre a Úlcera Mole Venérea

Apresentação de Saúde e Pesquisa Médica

O que é?

O cancro mole (também chamado de úlcera mole venérea, cancroide ou popularmente cavalo) é uma IST causada pela bactéria Haemophilus ducreyi, um bacilo Gram-negativo e anaeróbico.

É considerada uma das ISTs mais dolorosas e visualmente mais graves, diferente de infecções silenciosas como a clamídia — os sintomas são intensos e aparecem rapidamente após o contágio.

Prevalência Geográfica

A doença é mais frequente em países tropicais, sendo comum no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A Bactéria

O Haemophilus ducreyi é extremamente contagioso e penetra a pele através de micro-lesões causadas pelo próprio atrito do ato sexual.

Ou seja, não é preciso haver ejaculação para ocorrer a transmissão.

Imunidade Inexistente

Ao contrário de outras ISTs, o organismo não desenvolve imunidade após a cura, ou seja, é possível ser infectado repetidas vezes.

A bactéria é sensível à maioria dos antibióticos comuns.

Visão microscópica da bactéria em laboratório clínico

Como se Transmite

  • Sexo vaginal, anal ou oral sem preservativo.
  • Contato direto com as lesões abertas (via não sexual, menos comum).
  • Não se transmite por abraços, apertos de mão, assentos sanitários ou qualquer contato casual.

O risco de transmissão é significativamente maior em homens não circuncidados.

Sintomas

Os sintomas surgem entre 1 dia e 2 semanas após a exposição (média de 3 a 10 dias):

Fase inicial

Bolha pequena e dolorosa na glande, escroto ou lados do pênis (no homem) ou nos lábios maiores/menores da vulva (na mulher).

Fase de úlcera

A bolha rompe virando uma ferida aberta (3 a 50mm), bordas irregulares bem definidas, base com secreção e sangramento fácil.

Fase sistêmica & Bubões

Febre, dor de cabeça e fraqueza. Em 1/3 dos casos, gânglios da virilha incham (bubões) podendo romper e drenar pus.

Risco Oculto (Mulheres)

Em mulheres, a doença frequentemente é assintomática, o que dificulta o diagnóstico e aumenta a transmissão silenciosa.

Relação com o HIV

Conexão Crítica: Quem tem cancro mole tem risco drasticamente elevado de contrair e transmitir o HIV.

As úlceras abertas eliminam a barreira natural da pele, criando uma porta de entrada direta para o vírus. A coexistência das duas infecções agrava significativamente o quadro clínico de ambas.

Protocolo Clínico Obrigatório:

Todo paciente diagnosticado com cancro mole é orientado a realizar testes para HIV e sífilis imediatamente — e repetir o teste de HIV 3 meses depois do diagnóstico.

Diagnóstico

O diagnóstico é inicialmente clínico (avaliação visual das lesões), complementado por exames:

  • NAAT (Amplificação de Ácido Nucleico):
    Detecta DNA/RNA da bactéria em amostras das úlceras. É o método mais preciso.
  • Cultura Laboratorial:
    Coleta de secreção da ferida, porém apresenta menor sensibilidade que o NAAT.
  • Diagnóstico de Exclusão:
    Descarte de outras ISTs que apresentam lesões ulcerativas parecidas, como sífilis e herpes genital.

Tratamento

Feito com antibióticos, possui boa taxa de cura quando iniciado precocemente:

Via de Adm. Medicamento Indicado
Oral Azitromicina (dose única), Ciprofloxacino ou Eritromicina
Injetável Ceftriaxona (dose única)

Bubões com muito desconforto podem ser drenados com agulha ou pequena cirurgia.

Parceiros sexuais dos últimos 10 dias devem ser examinados e tratados mesmo sem sintomas.

Equipamentos e medicamentos em ambiente clínico

Prevenção

Não existe vacina contra o cancro mole. As medidas são comportamentais:

  • Uso correto e consistente do preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações.
  • Redução do número de parceiros sexuais.
  • Testagem regular para ISTs, especialmente ao mudar de parceiro.
  • Evitar relações sexuais quando há feridas ativas na região genital, próprias ou do parceiro.
  • Higienização genital adequada antes e após o ato sexual contribui para a prevenção e recuperação.
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